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Micro-máquinas movidas a luz:
Quando se fala em micro-máquinas, é fácil imaginar
máquinas como as que conhecemos, cheias de engrenagens e eixos e
movimentadas por motores - só que tudo em miniatura.
Isso realmente acontece - mas até um determinado nível de
miniaturização.
A alta tecnologia e a magia...
Quando essas máquinas diminutas começam a ficar pequenas
demais, na faixa de poucos micrómetros de tamanho, as coisas começam
a comportar-se de maneira diferente:
forças que ajudam a movimentar as máquinas em macro-escala
começam a atrapalhar e outras forças que são desprezadas
na dimensão humana, passam a ter um papel
preponderante no funcionamento dessas micro-máquinas.
É aí que entram as pesquisas que procuram explorar forças
pouco conhecidas - mas que poderão substituir os motores das máquinas
que conhecemos.
Pode parecer contra-intuitivo mas, em micro-escala, é possível
ter-se máquinas que funcionam sem motor.
Por exemplo, uma equipa de físicos da Universidade de Riverside,
Estados Unidos, acaba de demonstrar que a força de Casimir - a diminuta
força de atracção que age entre duas superfícies
paralelas que se encontram muito próximas - pode ser alterada utilizando-se
a luz, abrindo a possibilidade de se operar micromáquinas remotamente.
Dirija um feixe de luz em cima da micro-máquina e ela começará a funcionar, sem nenhum motor.
Como disse Arthur C Clarke, um dos mais conhecidos escritores
de ficção científica, a partir de um determinado nível
de progresso científico, a alta tecnologia começa a ser indistinguível
da magia.
Luz virtual
A força de Casimir surge quando se alteram as propriedades dos
"fótons virtuais."
Enquanto um fóton normal é uma partícula portadora
de interacções electromagnéticas, um fóton virtual
é uma partícula que existe apenas por um instante extremamente
curto,
como um intermediário num processo, nunca podendo ser observado
directamente.
Como os fótons virtuais estão sempre presentes no espaço
vazio, o estudo da força de Casimir permite aos físicos compreender
as propriedades da natureza quântica do espaço.
Para criar o ambiente no qual a força de Casimir pudesse ser detectada,
o Dr. Umar Mohideen e sua equipa utilizaram uma pequena esfera de ouro,
medindo 200 micrómetros de diâmetro e várias placas
planas de silício.
"Onde a esfera e a placa se aproximam, as superfícies são
consideradas praticamente paralelas a distâncias microscópicas," explica Mohideen.
Os cientistas então mediram a força de Casimir entre a
esfera de ouro e as placas de silício alterando a "densidade de
carga" das placas - a quantidade elétrons que se encontra em cada
placa.
Eles descobriram que a força de Casimir apresenta variações
mensuráveis quando a densidade de elétrons varia em 10.000
vezes de uma placa para outra.
Manipulando a força de Casimir
"Nós então perguntamo-nos se seria possível
gerar essa diferença de densidade de alguma outra forma," diz Mohideen.
Foi então que eles descobriram que podiam alterar a força
de Casimir utilizando um feixe de luz.
Utilizando a mesma bola de ouro e uma placa de silício, só
que agora tendo ambas a mesma densidade de carga, os cientistas conseguiram
alterar a densidade de carga da placa utilizando um feicho de luz - alteração
essa suficiente para afectar a força de Casimir.
Quando a luz é absorvida pelo silício, os fótons
são convertidos em cargas positivas e negativas.
É justamente o aumento nas forças negativas - o número
de elétrons - que altera a força de Casimir.
Micro-máquinas
"Utilizando esses resultados, será agora possível construir
pontas de prova especiais que possam medir as alterações
na densidade de elétrons," explica o cientista.
"Eles poderão ser usados também para construir novas micro-máquinas
que poderão ser operadas remotamente utilizando apenas luz."
As micro-máquinas são utilizadas para redireccionar a luz
entre fibras ópticas e em acelerómetros que disparam air-bags
no caso de acidentes, apenas para citar alguns exemplos.
Sistemas complexos de engrenagens e alavancas também estão
sendo desenvolvidos para movimentar micro-robôs e sistemas microeletromecânicos,
os MEMS.
Agora os cientistas planeiam melhorar a sensibilidade dos seus equipamentos
utilizando técnicas de medição mais precisas.
Eles vão tentar também entender como os elétrons
interagem com os fótons virtuais.
fonte: inovacaotecnologica.com.br
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