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Osho : Falsas Necessidades
O seu sentimento e o seu pensamento tornaram-se duas coisas diferentes
e esta é a neurose básica.
Aquele seu lado que pensa e aquele seu lado que sente tornaram-se dois
e você identifica-se com a parte que pensa e não com
a parte que sente.
E sentir é mais real do que pensar; sentir é mais natural
do que pensar.
Você nasce com um coração que sente, mas o
pensamento é cultivado, ele é-lhe dado pela sociedade.
E o seu sentimento tornou-se algo suprimido.
Mesmo quando você diz que sente, você apenas pensa que
sente. O sentimento tornou-se morto e isto aconteceu devido a determinadas
razões.
Quando uma criança nasce, ela é um ser que sente; ela
sente coisas, mas ela ainda não é um ser pensante. Ele é
natural, como tudo o que é natural, como uma árvore,
um animal. Começamos entretanto a moldá-la a cultivá-la.
Ela terá de suprimir os seus sentimentos, os se isto não
acontecer, estará sempre com dificuldades.
Quando quiser chorar, não poderá fazê-lo, pois
os seus pais a censurarão. Será condenada, não
será apreciada e nem amada. Não será aceita como é.
Deve comportar-se de acordo com determinada ideologia, determinados
ideais. Só então será amada.
Do modo como ela é, o amor não se destina a ela. Só
pode ser amada se seguir determinadas regras. Tais regras são impostas,
não são naturais.
O ser natural dá lugar a um ser suprimido e aquilo que não
é natural, o irreal é-lhe imposto.
Esse "irreal" é a sua mente e chega um momento em que a divisão
é tão grande que já não se pode mais ultrapassá-la.
Você esquece-se completamente do que a sua verdadeira natureza
foi ou é.
Você é um falso rosto; o semblante original perdeu-se.
E você também receia sentir o original, pois no momento em
que o sentir toda a sociedade se voltará contra si.
Você, portanto, coloca-se contra a sua natureza real.
Isto cria uma situação muito neurótica.
Você não sabe o que quer; ignora quais são as suas
necessidades reais e autênticas, pois somente um coração
que sente pode dar-lhe a direcção e o significado das
suas
necessidades reais.
Quando elas são suprimidas, você passa a criar necessidades
simbólicas. Por exemplo, você pode começar a comer
cada vez mais, enchendo-se de alimento, e nunca sentir que
está satisfeito.
Você tem necessidade de amor, não de comida. A comida
e o amor, entretanto, estão profundamente relaccionados.
Quando a necessidade de amor não é sentida, ou
é suprimida, uma falsa necessidade de comida é criada.
Você pode continuar comendo; posto que a necessidade é
falsa, ela jamais poderá ser preenchida. E vivemos entregues a falsas
necessidades.
Por isso não há realizações.
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